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quinta-feira, 10 de junho de 2010

PARQUE MUNICIPAL DA ILHA DO MOSQUEIRO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA O TURISMO.



PARQUE MUNICIPAL DA ILHA DO MOSQUEIRO: DESAFIOS E
POSSIBILIDADES PARA O TURISMO.

Kelly Santos do Amaral Garcia
Cursando o 5º Semestre do Curso de Graduação em Turismo da
Faculdade de Estudos Avançados do Pará – FEAPA.
kellygarciia@yahoo.com.br

RESUMO
Este artigo tem a finalidade de apresentar os resultados de uma pesquisa realizada no âmbito do projeto interdisciplinar do Curso de Graduação em Turismo da Faculdade de Estudos Avançados do Pará – FEAPA. A pesquisa buscou analisar os desafios e possibilidades para o desenvolvimento do ecoturismo em unidades de conservação, como é o caso do Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro. A abordagem metodológica utilizada foi à pesquisa quali-quantitativa, na qual os resultados encontrados traduzem a realidade inferida revelando uma produção antagônica no turismo em áreas protegidas na cidade de Belém do Pará.
Palavras-chaves: turismo, pesquisa e interdisciplinar.

ABSTRACT
This article has the purpose to present the results of a research carried through in the scope of the project to interdisciplinar of the Course of Graduation in Tourism of the College of Advanced Studies of Pará - FEAPA. The research searched to analyze the challenges and possibilities for the development of the ecoturismo in units of conservation, as it is the case of the Municipal Park of the Island of Mosqueiro. The used metodológica boarding was to the quali-quantitative research, which the joined results translate the inferred reality disclosing an antagonistic production in the tourism in areas protected in the city of Belém of Pará.
Word-keys: tourism, research and interdisciplinar.
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El RESUMENEste artículo tiene el propósito de presentar los resultados de una investigación llevados a través en el alcance del proyecto a interdisciplinar del curso de la graduación en turismo de la universidad de estudios avanzados de Pará - FEAPA. La investigación buscada para analizar los desafíos y las posibilidades del desarrollo del ecoturismo en unidades de la conservación, pues es el caso del parque municipal de la isla de Mosqueiro. El subir usado del metodológica estaba a la investigación quali-cuantitativa, que los resultados unidos traducen la realidad deducida que divulga una producción antagónica en el turismo en las áreas protegidas en la ciudad de Belém de Pará.Palabra-llaves: turismo, investigación e interdisciplinar.

1. INTRODUÇÃO
Este trabalho propõe-se a relatar a experiência da pesquisa interdisciplinar realizada no terceiro semestre do curso de graduação em turismo da Faculdade de Estudos Avançados do Pará – FEAPA, projeto este em que há uma interação entre professores, alunos e as disciplinas estudadas neste semestre, no ano de 2007 (Cartografia aplicada ao turismo, Estatística aplicada ao turismo, Estudos aplicados ao turismo, Folclore e Cultura popular, Metodologia da pesquisa em turismo II e Turismo e meio ambiente I), onde se analisou as perspectivas de desenvolvimento da atividade turística em áreas de conservação ambiental, como é o caso do Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro – PMIM, apontando os desafios e possibilidades existentes.
O PMIM está localizado na Ilha de Mosqueiro a 67 quilômetros do centro da capital do estado do Pará – Belém. Diante das peculiaridades das cidades amazônicas, entre elas, a fauna e flora depara-se com o descaso das políticas públicas e carência de educação ambiental, esses são alguns fatores que entre outros chamam atenção para o desenvolvimento de projetos voltados para áreas de conservação.

2. OBJETIVO GERAL:● Analisou-se os desafios e possibilidades para o turismo no Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro a partir de um projeto interdisciplinar do Curso de Graduação em Turismo da Faculdade de Estudos Avançados do Pará – FEAPA.
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2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
● Investigou-se as possibilidades do turismo em unidades de conservação;
● Verificou-se as principais discussões dos atores sociais envolvidos no local;
● Analisou-se os resultados obtidos de acordo com a pesquisa qualitativa e quantitativa;
● Observou-se as principais manifestações culturais e folclóricas da Ilha de Mosqueiro;

3. METODOLOGIA:
O trabalho interdisciplinar foi realizado através do planejamento de uma pesquisa exploratória e de estudo de caso sobre o Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro: Desafios e possibilidades para o turismo, com o intuito de produzir resultados que subsidiem novos projetos de pesquisa.
A interdisciplinaridade no curso de turismo é fundamental para que se possam analisar os diferentes âmbitos que essa atividade engloba, sendo assim a Faculdade de Estudos Avançados do Pará – FEAPA realiza a cada semestre um projeto que é dirigido aos alunos estimulando a pesquisa e o conhecimento da realidade local.O desenvolvimento deste trabalho teve como método a pesquisa de campo realizada no dia 31 de março de 2007, observação participativa, aplicação de formulários e análise dos dados para obter-se com clareza a real situação da Ilha e do Parque com relação à questão social, cultural, econômica e ecológica.

4. CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA DE PESQUISA4.1 A CAPITAL DO ESTADO DO PARÁ – BELÉM: A cidade de Belém, também conhecida como a metrópole da Amazônia, foi fundada por colonizadores portugueses, em 1616. Localizada entre os Rios Pará e Guamá, no estuário do Rio Amazonas, possui atualmente uma população de 1.428.368 habitantes (IBGE, 2006). Sua área de unidade territorial é de 1.065km² e está distribuída em uma região continental cuja área equivale a 34,36% do total apresentando elevada densidade demográfica; e uma região insular, composta por 43 ilhas, representando 65,64% do total que abriga 54.052 habitantes. As principais ilhas são: Mosqueiro, Caratateua, Cotijuba e Combu.
3Administrativamente, Belém está dividida em oito distritos: Distrito Administrativo de Belém (DABEL), Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC), Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA), Distrito Administrativo do Bengui (DABEN), Distrito Administrativo do Entroncamento (DAENT), Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO), Distrito Administrativo do Outeiro (DAOUT) e Distrito Administrativo do Mosqueiro (DAMOS), (BRANDÃO, 2002).

4.2 A ILHA DE MOSQUEIRO: Mosqueiro tem seu nome associado à palavra “moqueio”, um método de conservação de origem indígena, que por muitos anos garantiu o transporte da carne de caça e do pescado até Belém (LOBATO, 2005).Nos primeiros séculos de colonização portuguesa, o litoral era responsável, entre outras coisas, pelo abastecimento do núcleo colonizador, que era Belém, Mosqueiro insere-se, evidentemente dentro deste contexto. O caminho fluvial entre a Capital e a Vila de Mosqueiro cresceria com os anos. De reduto de pescadores, passou a ser cada vez mais procurada como área acessível para exploração de seus recursos naturais e como balneário. Como conseqüência da economia da borracha, recebeu investimentos em sua área urbana. Enfim, Mosqueiro chegou, em meados do século XX, trazendo em sua bagagem histórica o reconhecimento como um dos mais disputados balneários do litoral paraense (BRANDÃO, 2002).
No que refere a sua localização, Mosqueiro é limitado ao norte pelo Rio Pará e pela Baía do Guajará, a oeste pela Baía de Santo Antônio, ao sul pela Baía do Sol e a leste pelo Furo das Marinhas que separa a Ilha do continente. Em seu território encontramos: vegetação de floresta densa, secundária e de várzea. O ponto mais alto é de 25m.
O acesso para Mosqueiro pode ser fluvial ou terrestre, no segundo caso, temos a ligação feita através das rodovias BR316 e PA391 (67km do centro de Belém). A travessia do continente para a Ilha é feita através de ponte em concreto, cujo comprimento alcança 1,458km. A localização da Ilha pode ser melhor interpretada a partir da visualização do mapa abaixo:

Fonte: Serviço de Proteção da Amazônia Legal – SIPAM, 2007
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O Distrito Administrativo do Mosqueiro abriga duas áreas de proteção ambiental: o Parque Municipal da Ilha do Mosqueiro (190ha) e a Estação Ecológica do Furo das Marinhas (composta por dez ilhas, totalizando 380ha). Este trabalho tem como ênfase a pesquisa de turismo direcionada ao Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro, como ver-se a diante.

4.3 O PARQUE MUNICIPAL DA ILHA DE MOSQUEIRO: O parque ambiental foi criado pela Lei 1.401/88, englobada pelo Plano Diretor do Município de Belém, Lei 1.601/93 e ratificada pelo Decreto 26.138/93 da Prefeitura Municipal de Belém, de 11 de novembro de 1993 e delimita uma área de 190ha, com finalidades e objetivos de garantir a preservação de importante área de mata nativa, onde se encontra uma grande diversidade de fauna e flora da região, muitas em extinção; servir de refúgio da fauna silvestre; paralisar um processo de loteamento desordenado e urbanização do local que é tangido por duas frentes de ocupação urbana. Em 1995, a administração do Parque passa para a Fundação Parques e Áreas Verdes do Município de Belém – FUNVERDE e em 2003 com a sua extinção, a responsabilidade foi repassada para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMMA.
A partir da Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, com Decreto 4.340, de 22 de agosto de 2002, que regulamenta os artigos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, torna-se também finalidade do Parque a inserção da comunidade local como participante ativa.
O Parque possui uma localização privilegiada, limitada pelo igarapé Tamanduá, pelo rio
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Murubira e por uma linha seca de demarcação (como demonstra o mapa abaixo), o que permite a proteção de mananciais de água da Vila do Mosqueiro, da fauna e da flora remanescente, garantindo este patrimônio para as gerações futuras, ou seja, permitindo o desenvolvimento sustentável no local. Em suas áreas existe terra firme, terra de várzea e mangue.


Fonte: Serviço de Proteção da Amazônia Legal – SIPAM, 2007.

De acordo com a visita técnica realizada ao Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro (PMIM), em que foi utilizou-se o Sistema de Posicionamento Global (GPS), que tem como função obter a localização geográfica de um dado local, mostrando a altura, a precisão, o número de satélites conectados, latitude e longitude, verificou-se que em diversos pontos, escolhidos aleatoriamente, não se conseguia a plotagem, talvez devido à interferência da cobertura vegetal existente, por que em locais menos cobertos esse posicionamento era facilitado.
De posse da pesquisa de campo e das informações posteriores constatou-se que o órgão responsável pelo local e sua existência: SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) tem abandonado o local deixando as comunidades utilizarem de forma desgovernada esse espaço, causando assim invasão no parque de pessoas explorando o local (MENEZES, 2006).

5. ANÁLISE DE RESULTADOS
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Para obter-se os dados estatísticos utilizou-se o método da coleta direta, dados obtidos da fonte primária, através de questionários (AGRIA, 2007). Foram aplicados 100 (cem) questionários no entorno do PMIM, a maioria no Porto do Pelé e o restante próximo a Avenida 16 de Novembro, local onde fizemos à visita orientada.
A maioria dos questionários foram aplicados no entorno do Parque próximo ao Porto do Pelé, por que houve uma melhor receptividade dos moradores dessa área, que aceitaram com boa vontade responder as perguntas que lhes eram feitas, em contra partida, no outro lado as pessoas foram um pouco inacessíveis, porém conseguiu-se obter as informações para a realização da pesquisa.
De posse dos dados coletados percebe-se que maior parte dos entrevistados possui o ensino fundamental incompleto, o que pode ser um agravante para o curso de capacitação direcionado ao turismo. Esse fato pode ser enriquecido com a informação do turismólogo Sr. Joel Dias (colaborador da Companhia Municipal de Turismo – BELEMTUR) que nos informou que a BELEMTUR fez uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) para a implantação de cursos de capacitação para a comunidade, em que houveram 28 inscritos e somente 15 pessoas compareceram.
Um outro caso alarmante foi detectar que a maioria dos entrevistados não sabiam ou disseram que o parque se resumia em uma placa. Daí nota-se o total descaso por parte das políticas públicas em informar e sensibilizar a comunidade do entorno, sobre a implantação e conservação do lugar, em contra partida a comunidade não faz sua parte.
Sobre a criação da Ilha de Mosqueiro um grande número de pessoas desconhece sobre a sua origem, portanto existe a importância de se fazer um resgate histórico, para que se possa desenvolver alguma atividade relacionada ao turismo, como exemplo, que os mesmos saibam informar com precisão sobre os antecedentes histórico do local.
De acordo com o item relacionado às festividades, encontramos o destaque para as festas religiosas como o Círio de Nossa Senhora do Ó e Santa Rosa de Lima, depois os festivais do açaí, do cupuaçu e do camarão e a quadra junina que tem como ápice a festa de São Pedro.
Em relação ao patrimônio histórico da Ilha, alguns entrevistados citaram os Chalés antigos, outros, o Mercado Municipal e ainda foram lembrados a Igreja Matriz e o Casarão da Praia do Bispo também conhecido como O Canto do Sabiá, e ainda houveram pessoas que não conseguiram responder.
A pesca é considerada como uma das principais atividades de comercialização e utilização da natureza, em seguida temos a fabricação de artesanato feita com coleta de
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sementes, palha, bambu e raízes de vegetais e por último a manipulação de ervas medicinais.
A gastronomia mosqueirense, pela qual se pode comprovar, tem como base o açaí, o peixe e o camarão, que está intrínseca a cultura do local, acrescida das danças, lendas e histórias antigas.
Ao serem questionados sobre a hipótese da implantação de um projeto voltado para o turismo no parque, a maioria dos moradores aceitam argumentando que a atividade turística gera emprego, atrai pessoas, com isso há uma melhora da infra-estrutura e do transporte, desenvolve a localidade receptora e o mais importante, numa visão econômica, gera renda, a exemplo os artesãos e os pescadores venderiam facilmente os seus produtos, a Ilha seria bem divulgada, que na opinião de alguns moradores encontra-se esquecida durante a maior parte do ano com exceção no carnaval, nas férias de julho e nas festas de fim de ano, dando ênfase a sazonalidade que é um impacto negativo do turismo, tendo como característica a alta e baixa temporada.

6. TURISMO E IDENTIDADE CULTURAL DA ILHA DE MOSQUEIRO
A cultura e o folclore da Ilha de Mosqueiro são bastante diversificados e podemos encontrar muitas atrações relacionadas à história, eventos, locais religiosos, tipos de arquitetura, artesanato, comidas e bebidas típicas e os passeios ecológicos.
Vários são os recursos que integram o sistema cultural e folclórico do local, é por isso que hoje o chamado turismo cultural se desdobra em tantos títulos: ecológico, antropológico, religioso, arqueológico, artístico, arqueo-teosófico e muitos outros (BENI, 2004, p. 88).
Baseados nos formulários se notam que esses recursos estão inseridos nas manifestações culturais e folclóricas. Os maiores destaques se deram às celebrações religiosas, como Nossa Senhora do Ó, Santa Rosa de Lima e a de São Pedro; os festivais do Açaí, Cupuaçu e Camarão; a quadra junina, as danças regionais, as lendas e mitos, o artesanato, as crendices, o linguajar, assim como as comidas típicas que também fazem parte dessas manifestações.
A conservação da cultura popular da Ilha de Mosqueiro é um desafio para a comunidade, que apesar da diversidade não está encontrando meios para difundi-la, ocasionando uma crise de identidade relacionada à cultura para a geração moderna, resultado obtido com base na leitura do livro “A identidade cultural na pós-modernidade”, do autor Stuart Hall. Identidade é igualdade completa e cultura é adjetivo do saber, logo: a junção das duas palavras produz o sentimento de saber e conhecer, onde todos nós já nascemos com uma
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identidade própria e incontestada (Oliveira, 2006).
Constituindo a formação cultural de uma sociedade e suas expressões culturais, em que o turista busca um sentido para sua viagem, que pode ser o conhecimento e o lazer, desta forma se faz importante à conservação e a valorização cultural da mesma, sendo que o turismo cultural apresenta diferentes tipos de recursos e estão inter-relacionados tendo múltiplas facetas, variando entre as diferentes regiões geográfica, ocasionando sentido e significado para as tradições culturais populares e folclóricas de um povo fomentando de certa forma a prática turística.
Para Andrade (1976) o turismo cultural situa-se no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos em suas variadas manifestações. E como manifestação cultural, o folclore busca afirmar um sentimento de identidade de um povo, o que ele faz e reproduz como tradição. Para BRANDÃO (2003, pg. 24) folclore é a cultura do popular tornada normativa pela tradição. Pode-se verificar após a aplicação de questionários, que a comunidade ao entorno do Parque o considera como um lugar que abriga lendas, que enriquecem o folclore, assim como as tradições da Ilha de Mosqueiro. Vários são os estudiosos que consideram o folclore como objeto onde são difundidos as narrativas tradicionais, os costumes tradicionais, os sistemas populares de crenças e superstições e os sistemas e formas populares de linguagem.

7. ECOTURISMO EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
O termo “ecoturismo” teve sua origem na década de 1960, este foi usado para explicar o relacionamento entre turistas e culturas nos quais eles interagem (HETZER, 1965 apud FENNELL, 2002, p. 42). Segundo o mesmo autor, ainda há a identificação de quatro características fundamentais a serem seguidas pelo ecoturismo, como: minimizar impacto ambiental e às culturas anfitriãs, maximizar benefícios econômicos para as comunidades e satisfação “recreacional” máxima para os turistas.
A partir daí, desenvolveu-se o conceito de ecoturismo que pressupõe práticas e atividades para o conhecimento de ambientes naturais que sejam caracterizadas pelo uso da educação ambiental e que promovam a conservação e o cuidado com esses ambientes, recuperando uma relação mais íntima entre homem e natureza (ALCÂNTARA, 2007); pois as sociedades passaram a se preocupar com os impactos negativos que causavam ao meio ambiente, colocando em discussão novas formas de se praticar de forma mais responsável o turismo.
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Ecoturismo, que é um segmento do turismo, não deverá ser uma “indústria” praticada na natureza, mas sim uma forma de dar vivência ao indivíduo ou grupo, afetando suas atitudes, valores e ações nesse ambiente. Com isso, pretende-se conduzir as pessoas a manterem os ambientes naturais e fortalecer as comunidades receptoras, objetivando a sustentabilidade e conservação de ambos (MONTEIRO apud ALMEIDA, 2004, p.26). Não podemos falar de ecoturismo sem falar de ecossistema.
Ecossistema é um conceito amplo, sendo a sua principal função no pensamento ecológico é dar realce às relações obrigatórias, à interdependência e às relações causais, isto é, a junção de componentes para formar unidades funcionais (ALCÂNTARA, 2007), ou seja, é a somatória da comunidade com o meio, sendo o conjunto de elementos bióticos e abióticos de uma determinada área, que trocam entre si, influências notáveis, como a transferência de matéria e energia, visando um equilíbrio estável.
Na visita técnica orientada feita ao PMIM, observou-se um pouco de seu ecossistema, a interação entre a fauna e a flora e sua dinâmica natural. O PMIM apresenta significativo quadro de espécies faunísticas, a qual foi observada: formigas, sararás, aranhas e borboletas.
Mas segundo o estudo realizado pela Universidade Federal do Pará, destacam-se outras espécies, como: a preguiça comum, o macaco sagüi, o boto tucuxi, o porco espinho, a paca, o urubu-de-cabeça-vermelha, o gaviãozinho, o pica-pau, a cobra cipó, a sucuri, a jararaca, a cobra-de-duas-cabeças, a pescada branca, o camarão, a piranha, entre outras (BRANDÃO, 2002). Mascarenhas (1996) registrou a ocorrência de 29 espécies de mamíferos, 35 espécies de aves, 05 espécies de lagarto, 08 espécies de serpente, 09 espécies de anfíbios e 59 famílias de artrópodes para o local.
Quanto à flora (ecossistemas vegetais) encontram-se no parque a vegetação de várzea, vegetação de floresta densa e a vegetação secundária. Vale ressaltar a diversidade de espécies vegetais ali existentes, destacando-se seringueira, andiroba, palmeiras, ingá, morototó, sucuba, bacabeira, breu branco e vermelho, sapupema e sucupira, entre outros representantes da flora amazônica (BRANDÃO, 2002).
Essa floresta obedece a uma ordem crescente de vegetação da sua bordadura para o interior, sendo caracterizada com a presença de matinho, herbáceo e arbóreo respectivamente.

8. O ENVOLVIMENTO DOS ATORES SOCIAIS NA CONSTRUÇÃO DO PARQUE
MUNICIPAL DA ILHA DE MOSQUEIRO
As instituições governamentais envolvidas na construção das propostas voltadas ao
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Parque Municipal da Ilha do Mosqueiro foram: a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e suas diversas secretárias: a Fundação Parques e Áreas Verdes de Belém (FUNVERDE), Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM), Companhia Municipal de Turismo (BELEMTUR), Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (SAAEB), Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS), como também: o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Escola Bosque de Outeiro e algumas instituições educacionais, entre elas a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e agora a Faculdade de Estudos Avançados do Pará (FEAPA) que é uma instituição particular que está colaborando para a implementação de projetos voltados para os desafios e probabilidades do turismo no local, segundo informação do Sr. André Costa (SEMMA).
Não houve a participação de associações de moradores, simplesmente por que o primeiro projeto foi elaborado no ano de 1988 e ratificado em 1993 e nessa época o Sistema Nacional de Unidade de Conservação ainda não tinha sido aprovado e regulamentado (Lei 9.985 de 18 de julho de 2000, que institui o SNUC, Decreto 4.340 de 22 de agosto de 2002, que regulamenta os artigos do SNUC), contrariando a legislação atual que recomenda que a criação de unidades de conservação seja precedida de consulta pública, de maneira que a comunidade do entorno seja consultada a respeito da criação da unidade estimulando a participação popular.
A proposta da atual gestão para a Ilha de Mosqueiro (Proposta de Criação da Área de Proteção Ambiental da Ilha de Mosqueiro – APA) da SEMMA prevê a revitalização do Porto do Pelé, elaboração do Plano de Manejo do PMIM, implantação da infra-estrutura básica e sinalização turística do PMIM, criação da Reserva Extrativista do Paraíso, sensibilização das comunidades tradicionais da área do entorno do PMIM sobre o tema “Unidade de Conservação de Uso Sustentável”, Projeto de Balneabilidade das Praias, fiscalização e monitoramento das atividades poluidoras e degradadoras do meio ambiente, manutenção de praças e logradouros públicos, arborização urbana e manutenção dessa atividade. Em relação à BELEMTUR há um esquema de fomentação para trilhas ecológicas, Projeto Circuito Turístico, rotas das oportunidades, qualificação profissional e eventos.
Contudo sabe-se que o parque não é prioridade para a secretaria, como observou-se durante a pesquisa bibliográfica nos diversos órgãos da Prefeitura Municipal de Belém (PMB).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entende-se que o PMIM é uma proposta devido ainda não ter sido efetivado, o local ser
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pouquíssimo conhecido pela sua comunidade, e os projetos para a área ainda não terem saído do papel, casando um agravante para a implementação de atividades ecoturísticas.
Mediante os acontecimentos presenciados diretamente com as comunidades e pessoas que residem no entorno do Parque e na Ilha do Mosqueiro percebe-se uma série de fatores, tanto negativos quanto positivos que foram obtidos através da pesquisa de campo e com a aplicação de questionários, ocorridos em dois momentos, estes descritos no decorrer do artigo.
A aventura nos mostra que os desafios são abrangentes. Há um descaso por parte das políticas públicas e até mesmo da comunidade em relação à educação, conservação e sensibilização ambiental. O local como já relatado anteriormente não é prioridade para a secretaria, até mesmo porque existe a necessidade de se investir em prol da resolução de problemas básicos como: saúde, educação e saneamento. Depois o Governo Público tenta efetivar obras que a maioria da população possa ver e utilizar o que não é o caso do planejamento da atividade turística.
A Ilha de Mosqueiro apresenta-se como um potencial turístico, pois se constatam as possibilidades de desenvolvimento do sistema cultural que estão inseridos as manifestações
culturais e folclóricas do local. Mas apesar de todo este aparato se nota o descaso total ao incentivo do turismo cultural, pois a necessidade de sobrevivência é imposta através das oportunidades de trabalho que surgem como exemplo: a ocupação de caseiro, deixando de lado os ofícios tradicionais como os de pescadores e artesãos. Sendo assim observamos que a preservação da cultura popular é um grande desafio para a comunidade da Ilha de Mosqueiro.
A possibilidade de renda para a comunidade é gerada através de seus produtos regionais, como o peixe, o camarão, as frutas e o artesanato. Mas o grande desafio é transformar isto em produto turístico, devido à falta de projetos voltados para as necessidades das comunidades como um todo e incentivo de políticas públicas que atendam as suas necessidades.
De acordo com as informações e experiências de campo, constata-se a boa localização da Ilha e do Parque, a variedade de transportes que facilitam o acesso ao local e tendo também opções de custo e conforto que são diretamente proporcionais. Esses fatores podem ser de relevância para a atração de pessoas a comunidade, viabilizando o desenvolvimento do turismo.
O ecoturismo se originou da necessidade, que se teve em conservar e preservar o meio ambiente, através do uso da educação ambiental na qual destacamos a sensibilização
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das comunidades e do homem em geral em manter o equilíbrio em seu relacionamento com a natureza. Pois só assim, podemos evitar os impactos negativos relacionados ao meio ambiente natural. Uma possibilidade de desenvolvimento turístico seria a implantação de uma trilha interpretativa, que degrade menos possível a natureza ali existente.
O PMIM um grande potencial turístico, porém existe o desafio de conservar a fauna e a flora existente, já que isto depende de um trabalho sério que integrem os governos e a comunidade local, e este trabalho deve ser desenvolvido de maneira responsável, de curto e longo prazo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALCÂNTARA, Constantino. Repertório Técnico Aplicado ao Turismo Ecológico.
Belém: Turismo e Meio Ambiente I, 2007.
ALMEIDA, Carlos Silva. Bons Negócios. Altamira – Pará. Ano 1, n°03. Guia Amata, 2004, p.42.
ANDRADE, José Vicente. Fundamento e Dimensões do Turismo. Belo Horizonte: Ática, 1976.
ANDRADE, Waldir Joel de. Manejo de Trilhas. 2004.
BRANDÃO, Eduardo Jorge Cardoso. Diagnóstico Socioeconômico e Ambiental da Zona Rural do Entorno do Parque Ambiental da Ilha do Mosqueiro: Relatório Preliminar.
Belém: UFPA, 2002.
FENNELL, David A. Ecoturismo: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2002.
LOBATO, Silvana. Histórico: Origem do nome. Disponível em . Acesso em 01/05/2007.
MENEZES, Rilvana Macedo. Ecoturismo: Uma Alternativa de Desenvolvimento Sustentável no Parque Ambiental de Mosqueiro. Belém: IESAM, 2006.
OLIVEIRA, Lucia Maciel Barbosa de. Dicionário de Direitos Humanos: Identidade Cultural. São Paulo: 2006.
Sistema Nacional de Unidade de Conservação. Disponível em . Acesso em 24/04/2007.
População de Belém: Censo em 01 de julho de 2006. Disponível em www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindaw.htm?1. Acesso em 23/04/2007.
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